Resolucao


Resolução – RE nº 9, de 16 de janeiro de 2003

O Diretor da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lhe
confere a Portaria nº 570, do Diretor Presidente, de 3 de outubro de 2002;

considerando o § 3º, do art. 111 do Regimento Interno aprovado pela Portaria n.º 593, de 25 de agosto de 2000,
republicada no DOU de 22 de dezembro de 2000,

considerando a necessidade de revisar e atualizar a RE/ANVISA nº 176, de 24 de outubro de 2000, sobre Padrões
Referenciais de Qualidade do Ar Interior em Ambientes Climatizados Artificialmente de Uso Público e Coletivo, frente ao
conhecimento e a experiência adquiridos no país nos dois primeiros anos de sua vigência;

considerando o interesse sanitário na divulgação do assunto;

considerando a preocupação com a saúde, a segurança, o bem-estar e o conforto dos ocupantes dos ambientes
climatizados;

considerando o atual estágio de conhecimento da comunidade científica internacional, na área de qualidade do ar
ambiental interior, que estabelece padrões referenciais e/ou orientações para esse controle;

considerando o disposto no art. 2º da Portaria GM/MS n.º 3.523, de 28 de agosto de 1998;

considerando que a matéria foi submetida à apreciação da Diretoria Colegiada que a aprovou em reunião realizada
em 15 de janeiro de 2003, resolve:

Art. 1º Determinar a publicação de Orientação Técnica elaborada por Grupo Técnico Assessor, sobre Padrões
Referenciais de Qualidade do Ar Interior, em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, em anexo.
Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

CLÁUDIO MAIEROVITCH PESSANHA HENRIQUES

ANEXO

Orientação Técnica elaborada por Grupo Técnico Assessor sobre Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo

I – HISTÓRICO

O Grupo Técnico Assessor de estudos sobre Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, foi constituído pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, no âmbito da Gerência Geral de Serviços da Diretoria de Serviços e Correlatos e instituído por membros das seguintes instituições:

Sociedade Brasileira de Meio Ambiente e de Qualidade do Ar de Interiores/BRASINDOOR, Laboratório Noel Nutels , Instituto de Química da UFRJ, Ministério do Meio Ambiente, Faculdade de Medicina da USP, Organização Panamericana de Saúde/OPAS, Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho FUNDACENTRO/MTb, Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial/INMETRO, Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar/APECIH e, Serviço de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde/RJ, Instituto de Ciências Biomédicas ICB/USP e Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Reuniu-se na cidade de Brasília/DF, durante o ano de 1999 e primeiro semestre de 2000, tendo como metas:

1. Promover processo de revisão na Resolução ANVISA -RE 176/00

2. Atualiza -la frente a realidade do conhecimento no país.

3. Disponibilizar informações sobre o conhecimento e a experiência adquirida nos dois primeiros anos de
vigência da RE 176.

II – ABRANGÊNCIA

O Grupo Técnico Assessor elaborou a seguinte Orientação Técnica sobre Padrões Referenciais de Qualidade do Ar
Interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, no que diz respeito a definição de valores
máximos recomendáveis para contaminação biológica, química e parâmetros físicos do ar interior, a identificação das
fontes poluentes de natureza biológica, química e física, métodos analíticos ( Normas Técnicas 001, 002, 003 e 004 ) e as
recomendações para controle ( Quadros I e II ).

Recomendou que os padrões referenciais adotadas por esta Orientação Técnica sejam aplicados aos ambientes
climatizados de uso público e coletivo já existentes e aqueles a serem instalados. Para os ambientes climatizados de uso
restrito, com exigências de filtros absolutos ou instalações especiais, tais como os que atendem a processos produtivos,
instalações hospitalares e outros, sejam aplicadas as normas e regulamentos específicos.

III – DEFINIÇÕES

Para fins desta Orientação Técnica são adotadas as seguintes definições, complementares às adotadas na Portaria
GM/MS n.º 3.523/98:

a) Aerodispersóides: sistema disperso, em um meio gasoso, composto de partículas sólidas e/ou líquidas. O mesmo
que aerosol ou aerossol.

b) ambiente aceitável: ambientes livres de contaminantes em concentrações potencialmente perigosas à saúde dos
ocupantes ou que apresentem um mínimo de 80% dos ocupantes destes ambientes sem queixas ou sintomatologia de
desconforto,2

c) ambientes climatizados : são os espaços fisicamente determinados e caracterizados por dimensões e instalações
próprias, submetidos ao processo de climatização, através de equipamentos.

d) ambiente de uso público e coletivo: espaço fisicamente determinado e aberto a utilização de muitas pessoas.

e) ar condicionado: é o processo de tratamento do ar, destinado a manter os requerimentos de Qualidade do Ar
Interior do espaço condicionado, controlando variáveis como a temperatura, umidade, velocidade, material particulado,
partículas biológicas e teor de dióxido de carbono (CO2).

f) Padrão Referencial de Qualidade do Ar Interior : marcador qualitativo e quantitativo de qualidade do ar ambiental
interior, utilizado como sentinela para determinar a necessidade da busca das fontes poluentes ou das intervenções
ambientais

g) Qualidade do Ar Ambiental Interior: Condição do ar ambiental de interior, resultante do processo de ocupação de
um ambiente fechado com ou sem climatização artificial.

h) Valor Máximo Recomendável: Valor limite recomendável que separa as condições de ausência e de presença do
risco de agressão à saúde humana.

IV – PADRÕES REFERENCIAIS

Recomenda os seguintes Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados de uso
público e coletivo.

1 – O Valor Máximo Recomendável – VMR, para contaminação microbiológica deve ser £ 750 ufc/m 3 de fungos, para
a relação I/E £ 1,5, onde I é a quantidade de fungos no ambiente interior e E é a quantidade de fungos no ambiente
exterior.

NOTA: A relação I/E é exigida como forma de avaliação frente ao conceito de normalidade, representado pelo meio
ambiente exterior e a tendência epidemiológica de amplificação dos poluentes nos ambientes fechados.

1.1 – Quando o VMR for ultrapassado ou a relação I/E for > 1,5, é necessário fazer um diagnóstico de fontes
poluentes para uma intervenção corretiva.

1.2 – É inaceitável a presença de fungos patogênicos e toxigênicos.

2 – Os Valores Máximos Recomendáveis para contaminação química são:

2.1 – £ 1000 ppm de dióxido de carbono – ( CO2 ) , como indicador de renovação de ar externo, recomendado para
conforto e bem-estar2.

2.2 – £ 80 mg/m 3 de aerodispersóides totais no ar, como indicador do grau de pureza do ar e limpeza do ambiente
climatizado4.

NOTA: Pela falta de dados epidemiológicos brasileiros é mantida a recomendação como indicador de renovação do
ar o valor = 1000 ppm de Dióxido de carbono – CO2

3 – Os valores recomendáveis para os parâmetros físicos de temperatura, umidade, velocidade e taxa de renovação
do ar e de grau de pureza do ar, deverão estar de acordo com a NBR 6401 – Instalações Centrais de Ar Condicionado
para Conforto – Parâmetros Básicos de Projeto da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas5.

3.1 – a faixa recomendável de operação das Temperaturas de Bulbo Seco, nas condições internas para verão,
deverá variar de 230C a 260C, com exceção de ambientes de arte que deverão operar entre 210C e 230C. A faixa máxima
de operação deverá variar de 26,50C a 270C, com exceção das áreas de acesso que poderão operar até 280C. A seleção
da faixa depende da finalidade e do local da instalação. Para condições internas para inverno, a faixa recomendável de
operação deverá variar de 200C a 220C.

3.2 – a faixa recomendável de operação da Umidade Relativa, nas condições internas para verão, deverá variar de
40% a 65%, com exceção de ambientes de arte que deverão operar entre 40% e 55% durante todo o ano. O valor máximo
de operação deverá ser de 65%, com exceção das áreas de acesso que poderão operar até 70%. A seleção da faixa
depende da finalidade e do local da instalação. Para condições internas para inverno, a faixa recomendável de operação
deverá variar de 35% a 65%.

3.3 – o Valor Máximo Recomendável – VMR de operação da Velocidade do Ar, no nível de 1,5m do piso, na região
de influência da distribuição do ar é de menos 0,25 m/s.

3.4 – a Taxa de Renovação do Ar adequada de ambientes climatizados será, no mínimo, de 27 m3/hora/pessoa,
exceto no caso específico de ambientes com alta rotatividade de pessoas. Nestes casos a Taxa de Renovação do Ar
mínima será de 17 m3/hora/pessoa, não sendo admitido em qualquer situação que os ambientes possuam uma
concentração de CO2, maior ou igual a estabelecida em IV-2.1, desta Orientação Técnica.

3.5 – a utilização de filtros de classe G1 é obrigatória na captação de ar exterior. O Grau de Pureza do Ar nos
ambientes climatizados será obtido utilizando-se, no mínimo, filtros de classe G-3 nos condicionadores de sistemas
centrais, minimizando o acúmulo de sujidades nos dutos, assim como reduzindo os níveis de material particulado no ar
insuflado2.

Os padrões referenciais adotados complementam as medidas básicas definidas na Portaria GM/MS n.º 3.523/98, de
28 de agosto de 1998, para efeito de reconhecimento, avaliação e controle da Qualidade do Ar Interior nos ambientes
climatizados. Deste modo poderão subsidiar as decisões do responsável técnico pelo gerenciamento do sistema de
climatização, quanto a definição de periodicidade dos procedimentos de limpeza e manutenção dos componentes do
sistema, desde que asseguradas as freqüências mínimas para os seguintes componentes, considerados como
reservatórios, amplificadores e disseminadores de poluentes.

Componente

Periodicidade

Tomada de ar externo

Limpeza mensal ou quando
descartável até sua obliteração
(máximo 3 meses)

Unidades filtrantes

Limpeza mensal ou quando
descartável até sua obliteração
(máximo 3 meses)

Bandeja de condensado

Mensal*

Serpentina de aquecimento

Desencrustação semestral e limpeza
trimestral

Serpentina de resfriamento

Desencrustação semestral e limpeza
trimestral

Umidificador

Desencrustação semestral e limpeza
trimestral

Ventilador

Semestral

Plenum de mistura/casa de
máquinas

Mensal

* – Excetuando na vigência de tratamento químico contínuo que passa a respeitar a periodicidade indicada pelo
fabricante do produto utilizado.

V – FONTES POLUENTES

Recomenda que sejam adotadas para fins de pesquisa e com o propósito de levantar dados sobre a realidade brasileira, assim como para avaliação e correção das situações encontradas, as possíveis fontes de poluentes informadas nos Quadros I e II.
QUADRO I

Possíveis fontes de poluentes biológicos 6
Agentes biológicos

Principais fontes em ambientes interiores

Principais Medidas de correção em ambientes interiores

Bactérias

Reservatórios com
água estagnada,
torres de
resfriamento,
bandejas de
condensado,
desumificadores,
umidificadores,
serpentinas de
condicionadores de
ar e superfícies
úmidas e quentes.

Realizar a limpeza e
a conservação das
torres de resfriamento;
higienizar os reservatórios
e bandejas de condensado
ou manter tratamento
contínuo para eliminar as
fontes; eliminar as
infiltrações; higienizar as
superfícies.

Fungos

Ambientes úmidos e
demais fontes de
multiplicação
fúngica, como
materiais porosos
orgânicos úmidos,
forros, paredes e
isolamentos úmidos;
ar externo, interior
de condicionadores e
dutos sem
manutenção, vasos
de terra com plantas.

Corrigir a umidade
ambiental; manter sob
controle rígido vazamentos,
infiltrações e condensação
de água; higienizar os
ambientes e componentes
do sistema de climatização
ou manter tratamento
contínuo para eliminar as
fontes; eliminar materiais
porosos contaminados;
eliminar ou restringir vasos
de plantas com cultivo em
terra, ou substituir pelo
cultivo em água
(hidroponia); utilizar filtros
G-1 na renovação do ar
externo.

Protozoários

Reservatórios de
água contaminada,
bandejas e
umidificadores de
condicionadores sem
manutenção.

Higienizar o reservatório ou
manter tratamento
contínuo para eliminar as
fontes.

Vírus

Hospedeiro humano.

Adequar o número de
ocupantes por m2 de área
com aumento da renovação
de ar; evitar a presença de
pessoas infectadas nos
ambientes climatizados

Algas

Torres de
resfriamento e
bandejas de
condensado.

Higienizar os reservatórios
e bandejas de condensado
ou manter tratamento
contínuo para eliminar as
fontes.

Pólen

Ar externo.

Manter filtragem de acordo
com NBR-6401 da ABNT

Artrópodes

Poeira caseira.

Higienizar as superfícies
fixas e mobiliário,
especialmente os
revestidos com tecidos e
tapetes; restringir ou
eliminar o uso desses
revestimentos.

Animais

Roedores, morcegos
e aves.

Restringir o acesso,
controlar os roedores, os
morcegos, ninhos de aves
e respectivos excrementos.
QUADRO II
Possíveis fontes de poluentes químicos 7
Agentes biológicos

Principais fontes em ambientes interiores

Principais Medidas de correção em ambientes interiores

CO

Combustão (cigarros,
queimadores de
fogões e veículos
automotores).

Manter a captação de ar
exterior com baixa
concentração de poluentes;
restringir as fontes de
combustão; manter a
exaustão em áreas em que
ocorre combustão; eliminar
a infiltração de CO
proveniente de fontes
externas; restringir o
tabagismo em áreas
fechadas.

CO2

Produtos de
metabolismo
humano e
combustão.

Aumentar a renovação de
ar externo; restringir as
fontes de combustão e o
tabagismo em áreas
fechadas; eliminar a
infiltração de fontes
externas.

NO2

Combustão.

Restringir as fontes de
combustão; manter a
exaustão em áreas em que
ocorre combustão; impedir
a infiltração de NO2
proveniente de fontes
externas; restringir o
tabagismo em áreas
fechadas.

O3

Máquinas copiadoras
e impressoras a
laser.

Adotar medidas específicas
para reduzir a
contaminação dos
ambientes interiores, com
exaustão do ambiente
ou enclausuramento em
locais exclusivos para os
equipamentos que
apresentem grande
capacidade de produção de
O3.
Formaldeído
Materiais de
acabamento,
mobiliário, cola,
produtos de limpeza
domissanitários

Selecionar os materiais de
construção, acabamento e
mobiliário que possuam ou
emitam menos
formaldeído; usar produtos
domissanitários que não
contenham formaldeído.
Material
particulado
Poeira e fibras.

Manter filtragem de acordo
com NBR-6402 da ABNT;
evitar isolamento
termoacústico que possa
emitir fibras minerais,
orgânicas ou sintéticas para
o ambiente climatizado;
reduzir as fontes internas e
externas; higienizar as
superfícies fixas e
mobiliários sem o uso de
vassouras, escovas ou
espanadores; selecionar os
materiais de construção e
acabamento com menor
porosidade; adotar
medidas
específicas para reduzir
acontaminação dos
ambientes interiores (vide
biológicos); restringir o
tabagismo em áreas
fechadas.

Fumo de
tabaco

Queima de cigarro,
charuto, cachimbo,
etc.

Aumentar a quantidade de
ar externo admitido para
renovação e/ou exaustão
dos poluentes; restringir o
tabagismo em áreas
fechadas.

COV

Cera, mobiliário,
produtos usados em
limpeza e
domissanitários,
solventes, materiais
de revestimento,
tintas, colas, etc.

Selecionar os materiais de
construção, acabamento,
mobiliário; usar produtos
de limpeza e
domissanitários que não
contenham COV ou que
não apresentem alta taxa
de volatilização e
toxicidade.

COS-V

Queima de
combustíveis e
utilização de
pesticidas.

Eliminar a contaminação
por fontes pesticidas,
inseticidas e a queima de
combustíveis; manter a
captação de ar exterior
afastada de poluentes.

COV – Compostos Orgânicos Voláteis.
COS-V – Compostos Orgânicos Semi- Voláteis.

Observações – Os poluentes indicados são aqueles de maior ocorrência nos ambientes de interior, de efeitos conhecidos
na saúde humana e de mais fácil detecção pela estrutura laboratorial existente no país.

Outros poluentes que venham a ser considerados importantes serão incorporados aos indicados, desde que
atendam ao disposto no parágrafo anterior.

VI – AVALIAÇÃO E CONTROLE

Recomenda que sejam adotadas para fins de avaliação e controle do ar ambiental interior dos ambientes
climatizados de uso coletivo, as seguintes Normas Técnicas 001, 002, 003 e 004.

Na elaboração de relatórios técnicos sobre qualidade do ar interior, é recomendada a NBR-10.719 da ABNT –
Associação Brasileira de Normas Técnicas.

1 World Health Organization. Indoor air quality: biological contaminants; Copenhagen, Denmark, 1983 ( European
Series nº 31).

2 American Society of Hearting, Refreigerating and Air Conditioning Engineers, Inc. ASHARAE Standard 62 –
Ventilation for Acceptable Indoor Air Quality, 2001

3 Kulcsar Neto, F & Siqueira, LFG. Padrões Referenciais para Análise de Resultados de Qualidade Microbiológica
do Ar em Interiores Visando a Saúde Pública no Brasil – Revista da Brasindoor . 2 (10): 4-21,1999.

4 Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, Resolução n.º 03 de 28/06 / 1990.

5 ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6401 – Instalações Centrais de Ar Condicionado para
Conforto – Parâmetros Básicos de Projeto, 1980.

6 Siqueira, LFG & Dantas, EHM. Organização e Métodos no Processo de Avaliação da Qualidade do Ar de Interiores –
Revista da Brasindoor, 3 (1): 19-26, 1999.

7 Aquino Neto, F.R; Brickus, L.S.R. Padrões Referenciais para Análise de Resultados da Qualidade Físico-química do Ar
de Interior Visando a Saúde Pública. Revista da Brasindoor,
3(2):4 -15,1999

NORMA TÉCNICA 001

Qualidade do Ar Ambiental Interior. Método de Amostragem e Análise de Bioaerosol em Ambientes Interiores.

MÉTODO ANALÍTICO

OBJETIVO: Pesquisa, monitoramento e controle ambiental da possível colonização, multiplicação e disseminação de
fungos em ar ambiental interior.

DEFINIÇÕES:
Bioaerosol: Suspensão de microorganismos (organismos viáveis) dispersos no ar.
Marcador epidemiológico: Elemento aplicável à pesquisa, que determina a qualidade do ar ambiental.

APLICABILIDADE: Ambientes de interior climatizados, de uso coletivo, destinados a ocupações comuns (não especiais).

MARCADOR EPIDEMIOLÓGICO: Fungos viáveis.

MÉTODO DE AMOSTRAGEM: Amostrador de ar por impactação com acelerador linear.

PERIODICIDADE: Semestral.

FICHA TÉCNICA DO AMOSTRADOR:

Amostrador: Impactador de 1, 2 ou 6 estágios.
Meio de Cultivo: Agar Extrato de Malte, Agar Sabouraud Dextrose a 4%,
Agar Batata Dextrose ou outro, desde que cientificamente validado.
Taxa de Vazão: fixa entre 25 a 35 l/min, sendo recomendada 28,3 l/min.
Tempo de Amostragem: de 5 a 15 minutos, dependendo das
especificações do amostrador. Volume Mínimo: 140 l
Volume Máximo: 500 l
Embalagem: Rotina de embalagem para proteção da amostra com nível
de biossegurança 2 (recipiente lacrado, devidamente identificado com
símbolo de risco biológico)
Transporte: Rotina de embalagem para proteção da amostra com nível de
biossegurança 2 (recipiente lacrado, devidamente identificado com
símbolo de risco biológico)
Nota: Em áreas altamente contaminadas, pode ser recomendável uma
amostragem com tempo e volume menores.

Calibração: Semestral

Exatidão: ± 0,02 l/min.
Precisão: ± 99,92 %
ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM:

· selecionar 01 amostra de ar exterior localizada fora da estrutura predial na altura de 1,50 m do nível da rua.
· Definir o número de amostras de ar interior, tomando por base a área construída climatizada dentro de uma mesma edificação e razão social, seguindo a tabela abaixo:

Área construída (m2)

Número mínimo de amostras

Até 1.000

1

1.000 a 2.000

3

2.000 a 3.000

5

3.000 a 5.000

8

5.000 a 10.000

12

10.000 a 15.000

15

15.000 a 20.000

18

20.000 a 30.000

21

Acima de 30.000

25

· as unidades funcionais dos estabelecimentos com características epidemiológicas diferenciadas, tais como serviço
médico, restaurantes, creches e outros, deverão ser amostrados isoladamente.
· os pontos amostrais deverão ser distribuídos uniformemente e coletados com o amostrador localizado na altura de 1,5 m
do piso, no centro do ambiente ou em zona ocupada.

PROCEDIMENTO LABORATORIAL: Método de cultivo e quantificação segundo normatizações universalizadas. Tempo
mínimo de incubação de 7 dias a 250C., permitindo o total crescimento dos fungos.

BIBLIOGRAFIA: “Standard Methods for Examination of Water and Wastewater”.
17 th ed. APHA, AWWA, WPC.F; “The United States Pharmacopeia”. USP, XXIII ed., NF XVIII, 1985.
NIOSH- National Institute for Occupational Safety and Health, NIOSH Manual of Analytical Methods (NMAM),
BIOAEROSOL SAMPLING (Indoor Air) 0800, Fourth Edition.
IRSST – Institute de Recherche en Santé et en Securité du Travail du Quebec, Canada, 1994.
Members of the Technicael Advisory Committee on Indoor Air Quality, Commission of Public Health Ministry of the
Environment – Guidelines for Good Indoor Air Quality in Office Premises, Singapore.

NORMA TÉCNICA 002
Qualidade do Ar Ambiental Interior. Método de Amostragem e Análise da Concentração de Dióxido de Carbono em Ambientes Interiores.

MÉTODO ANALÍTICO

OBJETIVO: Pesquisa, monitoramento e controle do processo de renovação de ar em ambientes climatizados.
APLICABILIDADE: Ambientes interiores climatizados, de uso coletivo.
MARCADOR EPIDEMIOLÓGICO: Dióxido de carbono ( CO2 ) .
MÉTODO DE AMOSTRAGEM: Equipamento de leitura direta.
PERIODICIDADE: Semestral.

FICHA TÉCNICA DOS AMOSTRADORES:

Amostrador: Leitura Direta por meio de sensor infravermelho não dispersivo ou célula eletroquímica.

Calibração: Anual ou de
acordo com especificação do
fabricante.

Faixa: de 0 a 5.000 ppm.
Exatidão: ± 50 ppm + 2% do valor medido

ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM:

· Definir o número de amostras de ar interior, tomando por base a área construída climatizada dentro de uma mesma
edificação e razão social, seguindo a tabela abaixo:
Área construída (m2)

Número mínimo de amostras

Até 1.000

1

1.000 a 2.000

3

2.000 a 3.000

5

3.000 a 5.000

8

5.000 a 10.000

12

10.000 a 15.000

15

15.000 a 20.000

18

20.000 a 30.000

21

Acima de 30.000

25

· as unidades funcionais dos estabelecimentos com características epidemiológicas diferenciadas, tais como serviço
médico, restaurantes, creches e outros, deverão ser amostrados isoladamente.
· os pontos amostrais deverão ser distribuídos uniformemente e coletados com o amostrador localizado na altura de 1,5 m
do piso, no centro do ambiente ou em zona ocupada.

PROCEDIMENTO DE AMOSTRAGEM: As medidas deverão ser realizadas em horários de pico de utilização do ambiente.

NORMA TÉCNICA 003

Qualidade do Ar Ambiental Interior. Método de Amostragem e Análise da Concentração de Dióxido de Carbono em Ambientes Interiores.

MÉTODO ANALÍTICO

OBJETIVO: Pesquisa, monitoramento e controle do processo de renovação de ar em ambientes climatizados.
APLICABILIDADE: Ambientes interiores climatizados, de uso coletivo.
MARCADORES: Temperatura do ar ( °C )
Umidade do ar ( % )
Velocidade do ar ( m/s ) .
MÉTODO DE AMOSTRAGEM: Equipamentos de leitura direta. Termo-higrômetro e Anemômetro.
PERIODICIDADE: Semestral.

FICHA TÉCNICA DOS AMOSTRADORES:

Amostrador: Leitura Direta – Termo-higrômetro.
Princípio de operação: Sensor de temperatura do tipo termo-resistência.
Sensor de umidade do tipo capacitivo ou por condutividade elétrica.

Calibração: Anual

Faixa: 0º C a 70º C de
temperatura 5% a 95 % de
umidade
Exatidão: ± 0,8 º C de temperatura
± 5% do valor medido de
umidade

Amostrador: Leitura Direta – Anemômetro.
Princípio de operação: Preferencialmente de sensor de velocidade do ar do tipo fio aquecido ou fio térmico.

Calibração: Anual

Faixa: de 0 a 10 m/s
Exatidão: ± 0,1 m/s ± 4% do valor medido

ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM:

· Definir o número de amostras de ar interior, tomando por base a área construída climatizada dentro de uma mesma
edificação e razão social, seguindo a tabela abaixo:
Área construída (m2)

Número mínimo de amostras

Até 1.000

1

1.000 a 2.000

3

2.000 a 3.000

5

3.000 a 5.000

8

5.000 a 10.000

12

10.000 a 15.000

15

15.000 a 20.000

18

20.000 a 30.000

21

Acima de 30.000

25

· as unidades funcionais dos estabelecimentos com características epidemiológicas diferenciadas, tais como serviço
médico, restaurantes, creches e outros, deverão ser amostrados isoladamente.
· os pontos amostrais deverão ser distribuídos uniformemente e coletados com o amostrador localizado na altura de 1,5 m
do piso, no centro do ambiente ou em zona ocupada, para o Termo-higrômetro e no espectro de ação do difusor para o
Anemômetro.

NORMA TÉCNICA 004
Qualidade do Ar Ambiental Interior. Método de Amostragem e Análise da Concentração de Aerodispersóides em Ambientes Interiores.

MÉTODO ANALÍTICO

OBJETIVO: Pesquisa, monitoramento e controle de aerodispersóides totais em ambientes interiores climatizados.
APLICABILIDADE: Ambientes de interior climatizados, de uso coletivo, destinados a ocupações comuns (não especiais).
MARCADOR EPIDEMIOLÓGICO: Poeira Total (mg/m3 ).
MÉTODO DE AMOSTRAGEM: Coleta de aerodispersóides por filtração (MB -3422 da ABNT).
PERIODICIDADE: Semestral.

FICHA TÉCNICA DOS AMOSTRADORES:

Amostrador: Unidade de captação constituída por filtros de PVC, diâmetro
de 37 mm e porosidade de 5 mm de diâmetro de poro específico para
poeira total a ser coletada; Suporte de filtro em disco de celulose; Portafiltro
em plástico transparente com diâmetro de 37 mm.
Aparelhagem: Bomba de amostragem, que mantenha ao longo do período
de coleta, a vazão inicial de calibração com variação de 5%.
Taxa de Vazão: 1,0 a 3,0 l/min, recomendado 2,0 l/min.
Volume Mínimo: 50 l
Volume Máximo: 400 l
Tempo de Amostragem: relação entre o volume captado e a taxa de vazão
utilizada
Embalagem: Rotina

Calibração: Em cada procedimento de coleta se
operado com bombas
diafragmáticas

Exatidão: ± 5% do valor

ESTRATÉGIA DE AMOSTRAGEM:

· Definir o número de amostras de ar interior, tomando por base a área construída climatizada dentro de uma mesma
edificação e razão social, seguindo a tabela abaixo:
Área construída (m2)

Número mínimo de amostras

Até 1.000

1

1.000 a 2.000

3

2.000 a 3.000

5

3.000 a 5.000

8

5.000 a 10.000

12

10.000 a 15.000

15

15.000 a 20.000

18

20.000 a 30.000

21

Acima de 30.000

25

· as unidades funcionais dos estabelecimentos com características epidemiológicas diferenciadas, tais como serviço médico, restaurantes, creches e outros, deverão ser amostrados isoladamente.
· os pontos amostrais deverão ser distribuídos uniformemente e coletados com o amostrador localizado na altura de 1,5 m do piso, no centro do ambiente ou em zona ocupada.

PROCEDIMENTO DE COLETA: MB-3422 da ABNT.
PROCEDIMENTO DE CALIBRAÇÃO DAS BOMBAS: NBR- 10.562 da ABNT
PROCEDIMENTO LABORATORIAL: NHO 17 da FUNDACENTRO

VII – INSPEÇÃO
Recomenda que os órgãos competentes de Vigilância Sanitária com o apoio de outros órgãos governamentais,
organismos representativos da comunidade e dos ocupantes dos ambientes climatizados, utilizem esta Orientação Técnica
como instrumento técnico referencial, na realização de inspeções e de outras ações pertinentes nos ambientes
climatizados de uso público e coletivo.
VIII – RESPONSABILIDADE TÉCNICA
Recomenda que os proprietários, locatários e prepostos de estabelecimentos com ambientes ou conjunto de
ambientes dotados de sistemas de climatização com capacidade igual ou superior a 5 TR (15.000 kcal/h = 60.000 BTU/h),
devam manter um responsável técnico atendendo ao determinado na Portaria GM/MS nº 3.523/98, além de desenvolver
as seguintes atribuições:
a) providenciar a avaliação biológica, química e física das condições do ar interior dos ambientes climatizados;
b) promover a correção das condições encontradas, quando necessária, para que estas atendam ao estabelecido no
Art. 4º desta Resolução;
c) manter disponível o registro das avaliações e correções realizadas; e
d) divulgar aos ocupantes dos ambientes climatizados os procedimentos e resultados das atividades de avaliação,
correção e manutenção realizadas.
Em relação aos procedimentos de amostragem, medições e análises laboratoriais, considera-se como responsável
técnico, o profissional que tem competência legal para exercer as atividades descritas, sendo profissional de nível superior
com habilitação na área de química (Engenheiro químico, Químico e Farmacêutico) e na área de biologia (Biólogo,
Farmacêutico e Biomédico) em conformidade com a regulamentação profissional vigente no país e comprovação de
Responsabilidade Técnica – RT, expedida pelo Órgão de Classe.
As análises laboratoriais e sua responsabilidade técnica devem obrigatoriamente estar desvinculadas das
atividades de limpeza, manutenção e comercialização de produtos destinados ao sistema de climatização.